16.3.07

Flood at Faria Lima and RebouçasDia de chuva forte em São Paulo geralmente é dia de caos. Se for uma sexta-feira, então, a coisa piora ainda mais. Foi o caso hoje. O céu fechou no meio da tarde. Ficou completamente cinza escuro. Não demorou muito para desabar uma senhora tempestade. Foi tão forte que inundou até na frente do meu escritório, na Faria Lima com a Rebouças. E lá nunca alaga. Nunca.

Não importava por qual avenida trafegavam, os ônibus atravessavam o cruzamento criando até ondas. Imediatamente, percebi que voltar para casa de ônibus não seria uma opção. Melhor apelar para a boa e velha Ponte Orca, uma volta maior, mas com mais conforto — e, no caso de hoje, menos tempo.

Então fiz o que costumo fazer quando me decido por esse caminho. A minha irmã deixou-me na estação Cidade Universitária da CPTM, e fui em busca da senha da Ponte Orca. Só que não seria tão simples. Em primeiro lugar, estava chovendo, e eu estava sem o meu guarda-chuva. Em segundo lugar, a fila para a van estava muito, mas muito maior do que o normal, mesmo para uma sexta-feira. O motivo provavelmente era alguma inundação no trajeto até a estação Vila Madalena do metrô.

Pois bem, resolvi fazer uma volta ainda maior: peguei o trem. Segui pela Linha C na direção de Osasco. Poderia ter feito a baldeação para a Linha B na estação Presidente Altino, a primeira em Osasco, mas a plataforma da Linha B estava tão lotada que decidi estender um pouquinho mais minha viagem. Afinal, na estação Osasco também seria possível fazer a baldeação.

E foi. Até com certa tranqüilidade, apesar de ter sido um pouco difícil sair do trem da Linha C, por causa do pessoal que entrava sem necessidade de pressa. O problema foi a passagem por Presidente Altino. Quando as portas se abriram por lá, eu tive a visão do inferno.

Certamente alguma lei da física foi quebrado — ou, ao menos, dobrada — naquele instante. A multidão de pessoas que estava na plataforma entrou no trem quase que de repente, como se fosse por osmose. Mesmo as que não cabiam estavam dentro. Foi preciso três tentativas para que as portas se fechassem.

Uma lata de sardinhas geralmente é usada como metáfora para esse tipo de situação, mas acho que ali não daria. Nem uma lata de sardinhas é tão apertada. Para piorar, certas pessoas ainda não descobriram o que é um desodorante. Ou, como me apontaram depois, às vezes até descobriram, mas acham que é simplesmente um substituo para o banho.

Não seria tão difícil agüentar a situação até a Barra Funda, só que a cada estação em que o trem parava mais gente tentava entrar no vagão. E, surpreendentemente, essas pessoas conseguiam! Acho que ali eu pude contemplar a quinta dimensão. É óbvio que a tarefa foi bastante "facilitada" pelo fato de ter acabado a luz do vagão um pouco antes de o trem chegar à primeira estação e durante todo o trajeto entre a terceira e a quarta.

Até sair do trem na Barra Funda foi difícil, isso porque quase todos saíram naquela estação. Subir a escada, então, foi tarefa para longos cinco minutos, que poderiam ter se estendido por ainda mais tempo se eu não tivesse saído do trem perto da subida.

Comparada à epopéia de trem, a viagem de metrô foi quase um paraíso. Não consegui sentar por pouco na Linha Vermelha, mas, depois da baldeação, achei um lugar para sentar na Azul. Tudo bem que eu saí duas estações depois, mas deu para dar uma descansada e ler uns poucos parágrafos do meu livro.

Todo o trajeto levou menos de uma hora. O problema foram as condições em boa parte dele. Ah, e eu tinha evitado pegar a Ponte Orca por causa da chuva. Só que estava chovendo quando saí do metrô e tive de caminhar sete quarteirões debaixo dela. Mas com um banho quente me esperando em casa!

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// Alexandre Giesbrecht • 20:11 • Permalink 0 comentário(s)