1.4.07

Para um são-paulino, sempre é bom vencer o Palmeiras, ainda mais quando é a oportunidade de "carimbar" a faixa do título conquistado na semana passada há 56 anos (por incrível que pareça, essa última frase está correta). Mas a alegria pela vitória em um clássico não pode se sobrepor a um fato gritante: desde o jogo contra o Corinthians o São Paulo não joga bem.

Hoje foi mais um bom exemplo. O time fica apático, como se esperasse ganhar a partida simplesmente por osmose. O primeiro gol saiu em um lance de sorte, mas só serviu para confirmar no subconsciente são-paulino que é só entrar em campo que a vitória vem. Ué, a imprensa não exalta o time a toda hora? Até outro dia, a seqüência invicta não estava em quase 30 jogos? É só comparar os dois meios-de-campo — e olha que o São Paulo estava com um time misto mais para reserva que para titular —, que se percebe um grande desnível, ao menos no papel.

Então, com 1x0 no placar aos cinco minutos de jogo, não parecia haver um são-paulino em campo que não imaginasse o jogo ganho.

Dá para contar nos dedos de um joelho quantos chutes a gol o São Paulo deu antes de o Palmeiras conseguir empatar, graças a um pênalti bem mandrake "cometido" pelo zagueiro Breno. Mas não se pode dizer que fosse injusta a igualdade. O pior é que não se pode nem dizer que o time tenha acordado com o gol. Continuou naquele banho-maria, achando que os gols brotariam de esporos.

E não é que brotaram?

Em um lance corriqueiro na área, Alex Silva foi derrubado por Dininho. Não que não tenha sido falta; é que, fora o famigerado Castrilli, juiz nenhum costuma apitar esse tipo de pênalti. Rogério Ceni desta vez nem quis saber de dar friozinho na barriga da torcida e chutou forte, no canto, quase no fim do primeiro tempo.

Seria de se imaginar que Muricy daria uma bronca nos seus comandados durante o intervalo. Aliás, ele deve até ter dado. O time é que parece não ter escutado. Chute a gol parecia ser um pecado capital. Mas Richarlyson resolveu pecar. De longe, mandou um foguete que entrou na gaveta do gol do Palmeiras, e o São Paulo contabilizava três gols em três chutes.

Talvez não tenha feito mais porque não chutou mais. Ou até tentou chutar, mas a zaga palmeirense conseguiu travar. Os adversários ainda tentaram ameaçar alguma coisa, mas nem parecia que a derrota os empurrava para fora da zona de classificação. A defesa são-paulina, que há um bom tempo vem sendo o ponto forte do time, segurou lá atrás. O novato Breno, apesar de ter sido inocente no lance do "pênalti", foi bem. Alex Silva ainda dá uns sustos lá atrás, mas continua melhorando no apoio. E Miranda tem sido eficiente jogo atrás de jogo. Talvez até o problema ofensivo venha de um excesso de confiança na zaga. Se ela está tão bem, um golzinho marcado apenas deveria resolver qualquer jogo. Ou não.

Se o São Paulo parar de imaginar que vence qualquer jogo por pensamento, vai voltar a ser candidato aos principais títulos do ano. Se continuar jogando como tem jogado nos últimos 50 dias, vai morrer na praia em todas as competições, possivelmente até mais cedo do que imagina.

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// Alexandre Giesbrecht • 20:51 • Permalink 1 comentário(s)