Eu tenho um sonho recorrente. Só um. Quando eu era criança, eu tinha vários, embora só me lembre de um deles (um estacionamento que não existe no subsolo que não existe do Alphaville 2, um condomínio aonde eu fui pouquíssimas vezes). Mas hoje é só um sonho que eu tenho que se repete. E, ainda assim, de maneira diferente e com pouca freqüência.
Ele trata-se de um avião (qualquer avião) voando muito baixo, em círculos, próximo de onde estou, fazendo piruetas para tentar não cair, mas sempre cai. Geralmente, é nesse ponto que eu percebo que é tudo um sonho. Na última noite, o avião era menor, mas tudo seguia o script até a hora de eu perceber que estava dormindo. Eu lembrei-me, sim, dos sonhos anteriores, lembrei-me que era hora de acordar, mas... eu percebi "claramente" que estava acordado.
E ainda lamentei por não estar com a minha câmera à mão.
Antes que me acusem de mórbido, o acidente não foi feio. Foi uma bela capotagem, no meio de um cruzamento sem movimento, mas não houve explosão e a mulher que o pilotava sobreviveu. Um pouco machucada, mas sobreviveu. E eu assumi o comando do avião, para levá-lo a uma base militar (que não existe) nas proximidades do Parque do Ibirapuera. Não voando, mas andando sobre as rodas, pelas ruas, como se fosse a coisa mais normal do mundo.
E eu ainda assim não percebi que estava sonhando. Só fui acordar com o alarme. Antes de chegar à tal base.
O sonho não foi só isso, claro. Eu até me lembro de outras coisas que aconteceram antes, como uma atriz conhecida tentando andar incógnita no metrô mas não conseguindo um sujeito que veio me perguntar onde havia uma encadernadora num lugar que parecia a saída da estação Pedro II e sei lá mais o quê.
Fazia tempo que eu não me lembrava de um sonho, e mais tempo ainda que eu não me lembrava tão bem.
// Alexandre Giesbrecht • 11:49
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